quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Tudo se perde, menos o sentimento

Perdemos quilos, rumo, vontade, beleza... Menos o sentimento. Esse maldito não aceita “não” como resposta e perdoa sem o nosso consentimento, insistindo em viver com saudades do que aconteceu. Ele vira raiva às dez da manhã, paixão às três da tarde e angustia às oito da noite. Vira falta de explicação, como aquele silêncio seco e congelante que fui obrigada a aceitar. O sofrimento vira tema na mesa de bar, na poltrona do terapeuta, no ouvido de Deus. Quero sem poder ter, sem poder desejar. Quero da forma mais pura que alguém pode querer: querendo e ponto final. É vergonhoso querer alguém que aos quarenta e cinco minutos finais do relacionamento causou tanta dor. Mas mesmo após todos os prejuízos fica fácil ser feliz, olhar e não poder tocar, ver e não poder compartilhar. Perdemos alguém em que depositamos esperança, confiança, aprendizado e acima de tudo fé. Quanta fé eu tinha, quanta fé eu perdi. Fé de que no momento em que o perdão surgiu tudo poderia mudar. Fé de que o amor realmente muda tudo, inclusive nós. Fé em nossa paciência. Fé enganada, judiada e pisoteada. Hoje mal dá vontade de comer, sorrir ou sonhar. É óbvio que o tempo será o remédio, já cansei de ouvir isso, e a verdade é que somente eu posso preencher esse vazio, e ter colocado o meu coração nas mãos de outra pessoa é pedir pra ser infeliz. Mas aqui dentro tudo aperta, sufoca, grita. Estava escrito que seria assim? Foi tão claro que fiquei cega para a tristeza que se instala neste momento? Não ser de mentira tem os seus problemas. Sufoquei, busquei, lutei, derramei, fucei, causei, amei. Tantos verbos confusos, mas gerados a partir da história turbulenta, impulsiva e um dia correspondida. Verbos que dependiam apenas de uma pitada de segurança, esta que já estava sendo instalada aos poucos, mas se perdeu quando a tempestade começou. Não ser recíproco, dói. E agora passo um dia sorrindo, o outro chorando. Não é justo querer tanto de alguém pouco, é burrice desejar quem não quer mais o meu sorriso, o meu olhar, o meu amor. É dor calada, profunda. Por um momento pensei estar indo pelo caminho correto e já estava escrevendo sobre como modifiquei um amor, mas fui enganada. Nada disso aconteceu, nada mudou, nada perpetuou. Com o coração na mão me exponho e grito no silêncio: “Moço, para de se sabotar”. Nada acontece, só o sentimento permanece. Grito para que vá embora, e lembro-me dos momentos ruins para fortalecer o meu coração, porém o infeliz insiste em querer quem não se pode ter. Minha teimosia dói, minha esperança dói e todo dia dói amar com tantas provas do que devo fazer e não sentir.

- Jana Escremin

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